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sábado, 10 de agosto de 2013

O Comunismo da Shadaloo



       Tenho visto muitos comentários sobre como o comunismo ou socialismo são perversos e mataram milhões de pessoas na história. Receio que até aqui tranqüilo, pois faz bem discutir o Stalinismo e vários movimentos socialistas que não deram certo ao redor do mundo, embora eu me pergunte como seria uma obra chamada “O Livro Negro do Capitalismo” relatando as mortes que esse sistema já provocou. No entanto, não é sobre isso que eu vou problematizar.
       A questão é sobre como o socialismo tem sido “vilanizado” de forma minimamente erronia nesses últimos tempos. Parece até, que voltamos a Guerra Fria com o comunismo associado aos planos infernais de Lúcifer.
          Saindo o argumento religioso temos agora que todos os “vilões” da história são obviamente socialistas e quem discorda não tem senso crítico, afinal foi enganado todos esses anos pelos seus professores de história. Ora, colocam, sem nenhum argumento plausível, que regimes totalitários como o Nazismo alemão e a Ditadura Militar no Brasil, como socialistas e de estruturas comunistas.
          Pré-vejo a indignação de alguns lendo isso, mas o pior é que essas associações estão sendo levadas a sério e já estão sendo ensinadas nas escolas. Isso, para mim, apenas mostra o quanto estamos com problemas na educação.
      Entenda que meu desejo não é transformar os comunistas em mocinhos e nem colocar a direita capitalista como vilão. Não. Se você acredita no neoliberalismo e acha que as privatizações foram às melhores coisas que aconteceram no Brasil, tudo bem. Discordamos, claro, mas entenda que todos têm o direito de lutar pelos ideais que acreditam. Então, estude sobre o neoliberalismo, estude os governos pós-Regime Militar e tenha base coerente e argumentativa para defender a direita que, com certeza, também teremos a base para defender a esquerda.
          No entanto, o que me incomoda é a falta de argumentos minimamente bem embasados, as mentiras e invenções absurdas colocadas para dizer que os Presidentes Militares do Regime, que Hitler e que Napoleão são “obviamente” socialistas.
          Ora, se seu professor de história mentiu para você e caso tenha percebido isso, espera-se então que tenha visto e refletido sobre fatos e questões que o tenha feito chegar à outra conclusão, não é mesmo?
        Não dá para colocar que o Nazismo, que tinha um sistema econômico conservador sim, mas totalmente industrializado e ligado ao capitalismo como socialista, meu caro. As idéias ficam ainda piores com o Regime Militar que era liberal na economia e totalmente ligado aos Estados Unidos.
          Ter uma opinião sobre isso é uma coisa, inventar mentiras e, pior ainda, ensinar essas mentiras é ainda mais complicado. Não há base coerente nesses discursos e levantar que o Regime Militar Brasileiro é socialista é tão inverdade como falar que Jesus Cristo é Comunista.
          Defenda a direita, defenda o conservadorismo ou o neoliberalismo, mas faça isso consciente. Discuta. Provoque. Mas acima de tudo não minta e não tome como defesa a falácia de que o outro lado é “tudo de ruim” e o “maligno do mundo”.
            Receio agora que você esteja se perguntando, o porquê do título...
           Pois bem, “Shadaloo” é uma organização fictícia de um jogo de vídeo-game chamado “Street Fighter II”. Acontece que na história desse jogo todas as organizações criminosas do mundo estão diretamente relacionadas com a “Shadaloo” que é liderada pelo poderoso e maligno Vega (ou Mrs. Bison na versão estadunidense). Esse é um homem que é o símbolo do mal, que faz atrocidades por puro prazer e controla todos os criminosos do mundo, sejam eles traficantes do morro à máfia italiana.

           História infantil e maniqueísta que resume exatamente alguns pensamentos e opiniões políticas dos dias de hoje. Algo realmente bem infantil. A “Shadaloo” é tudo de ruim do mundo, ora o socialismo é todo o mal do mundo, visto que Vega usa uma roupa militar vermelha...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Perto.


“Não quero estar neste lugar e ver você partir
eu quero te esperar aonde você quer ir
te receber
te acomodar
te oferecer a mão
poder cantar, te acompanhar ao violão”
De Perto – Os Paralamas do Sucesso

Olhou pela janela observando o belo jardim que se espalhava na frente de um pequeno quarto na parte velha da cidade. Imaginou se ela passaria por ai e voltou a ver a cama vazia tomando um trago da garrafa de cerveja que tinha nas mãos. Lembrou dos momentos que acabara de ter junto com a mulher que amava e como algo tão lindo podia ter se perdido assim.
Voltou a olhar para fora e viu várias pessoas passando e se perguntou como deveriam ser suas vidas na complexidade e profusão de sentimentos que ele mesmo se via. Ele tinha conhecido muitas mulheres e passado por aquilo várias e várias vezes e então porque era diferente agora? O que tinha mudado?
Não tinha entendido bem o porquê ela o deixou, mas de qualquer forma ele mesmo sabia que as coisas seriam mais serias agora e estava na fase que normalmente a afastaria. Fez isso com todas as mulheres que teve e por algum motivo tinha se sentido muito mal desta vez.
Ele a viu atravessando as ameias floridas da primavera que embelezavam ainda mais o jardim do parque e entendeu que era ela diferente. Que encontrara uma mulher diferente de todas as que passaram por aquele quarto e contemporizou se não havia perdido a mulher de sua vida.
Não!
Estava sendo romântico e isso ele apenas era para conquistar as mulheres. Estava agindo como alguém que não estava no controle. Alguém... apaixonado.
Então ele finalmente entendeu a diferença de seus sentimentos e como aquela mulher era diferente. Ele a viu parar e quase olhar para trás. Quase a chamou aos berros, mas sabia que aquele não seria o momento. Ele perdeu o momento ou talvez devesse ter apenas a paciência para esperar que um dia eles pudessem ficar juntos.
Alimentava a esperança como um jovem apaixonado, mas ele seguiria a vida dele. Talvez pudesse ter-la de volta. Lembrou de uma antiga frase que dizia que um verdadeiro homem não é aquele que conquista várias mulheres, mas aquele que conquista a mesma mulher várias vezes. Ele a queria mais uma vez ali, não longe, mas...
De perto.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Contos Cotidianos


Foi lançado a segunda antologia em que eu participo no dia 26 de março desse ano, mas apenas agora os livros chegaram. Contos Cotidianos é uma coletânia de estórias sobre o dia dia das pessoas e a vida comum. Meu conto no livro chama-se Amizade, mas foi publicado nesse blog como Cotidiano. Sem mais, aqui está a sinopse do livro.

"Este espaço não tem dono. Aqui não existem amarras da ética, religião, dogmas ou qualquer outro empecilho que possa, desrespeitosamente, atrever-se a impor censura.
A liberdade e a clareza de ideias neste livro não serão como animais selvagens que necessitem ser domados, tampouco devam ser ventos a girarem moinhos. Então, que destas ideias não se façam proveito, deixando-as correrem livremente, soprarem sem direção certa, tendo na liberdade o único propósito. Refiro-me à liberdade de criação.
Estas linhas também são minhas, digo, não vêm com a agonia dos dias atribulados, embora falem sobre o cotidiano... Vêm como uma psicografia ditado por ele, quando consigo escapar das voltas do relógio e das exigências diárias, que roubam a criatividade e o tempo.
Quando escrevemos, tornamo-nos livres ou indiferente às comparações, avaliações ou julgamentos a que somos submetidos e aos quais nos submetemos constantemente... Perdemos a casca; criamos um espelho para ver o que não se enxerga na repetição dos dias.
Olhemos o cotidiano e, com criatividade narremos o que nossa observação e imaginação permita ampliar, modificar ou apenas uma prática rotineira, inserida na dureza do que parece imutável. Mergulhemos no cotidiano; escapemos também, nem que para isto tenhamos que mergulhar em águas, quase sempre turbulentas."

Sergio Prado.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Adeus.


“Ela se vestiu, e se olhou;
sem luxo, mas se perfumou.
Lágrimas por ninguém,
só porque, é triste o fim.
Outro amor se acabou.”
Ela disse Adeus – Os Paralamas do Sucesso

A menina caminhou entre as ameias floridas da primavera, mas mesmo com todas aquelas cores, a alegria não atingia a sua alma. Sua mente não estava ali, mas no quarto que acabara de sair, de ter sido abandonada. Pensou em olhar para trás uma última vez, talvez buscando aquele que a tinha deixado, mas desistiu rapidamente desses pensamentos e só pensava como ainda não havia chorado. Depois de tudo que aconteceu, não tinha derrubado uma lágrima ainda.
Aquilo tudo era tão injusto, tão derradeiramente injusto. Ela o tinha amado tanto, talvez mais que os outros e mesmo assim tudo tinha dado errado. Realmente tentou fazer tudo certo desta vez. Prometera a si mesma a nunca se entregar totalmente de novo, devido a decepções passadas, mas não tinha conseguido evitar. Ele era tão apaixonadamente charmoso. Seu sorriso era tão lindo e as marcas do tempo que se formavam em seu rosto lhe davam uma calma única.
Não queria, mas aconteceu e agora só podia lamentar por ter ocorrido da mesma forma que tantas outras vezes. Ela o amou, mas o fez sozinha como nos versos de Poe e pensou se em algum momento aquele lindo rapaz de olhos escuros gostou realmente dela em algum momento.
Tinha feito tudo por ele e foi em vão. Achou que naquele momento seria diferente. Apostou tudo por aquele homem. Tudo seu era de seu amado e ele tinha o coração dela nas mãos, mas preferiu partir em outras aventuras. Ela seria apenas mais uma daquelas aventuras, pois o amor tinha se fragmentado em mil pedaços como um vidro que se quebra e nunca mais pode ser concertado totalmente.
Mais uma vez ela estava sozinha e novamente às ironias do destino a exigiam força para seguir em frente. Sim! Seria forte, mas estava tão cansada de ser forte sempre. Tão cansada de nunca demonstrar seus sentimentos. Suas fraquezas. Isso a estava deixando dura e tinha medo que seu jeito a fizesse se tornar uma mulher sozinha e isso era, talvez, o que mais a assustava.
A jovem perdida meneou até um banco quase em vertigem. Sentou. Colocou as mãos ao rosto quente e as lágrimas salgadas finalmente deslizaram em sua pele alva como a chuva suave das tardes que teimavam não vir naquele dia. O dia estava feliz, era apenas ela que estava triste. Apenas ela. Foi então que olhou para trás e...
Ela disse adeus.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O Quarto


Foi naquele desconhecido quarto escuro que derradeiramente estendeu o que tinha se passado e como aquela profusão de sentimentos o tinha entorpecido. Era como se estivesse sobre o efeito das drogas que os outros usavam festivamente fora dali. No entendo, se via sobre o efeito de uma química muito mais antiga e inexorável. Algo ainda mais profundo e bem mais complicado.

O Amor.

Tinha prometido a si mesmo não cair nesses meandros dissimulados e sentimentos platônicos, mas como sempre, isso realmente não se pode controlar. Percebeu o perigo bem antes, claro, e a mantinha distante, entretanto algo os aproximou e os levou para aquele quarto.

Como ele poderia evitar?

Havia algo na forma que ela se movia que encantava. Talvez na maciez do seu andar ou talvez na forma que o vento acariciava-lhe os cabelos escuros. Não sabia. Apenas tinha certeza que aquela pequena o tinha abalado de tal forma que era difícil se manter longe. Penoso ter que esconder todo aquele sentimento dentro de si... e ela se movia.

Ela se movia.

O apaixonado olhava a sua musa se virar na cama. Era tão calmo a ver dormir que o rapaz agora ignorava as risadas e sons que vinham de fora do quarto. Somente havia aquela respiração profunda que mesmo assim era de uma leveza incomparável. A moça tinha abandonado as cobertas e ele podia ver os primeiros brilhos do alvorecer adentrar pelas frestas da janela e tocar-lhe a pele alva e cremosa.

Puxou-a para si.

Ela prontamente respondeu sem nem precisar ser instada. Abraçaram-se da forma em que ele ficaria as suas costas e a jovem meneou a fim de buscar-lhe os lábios, mas estes não se aproximaram. Houve dúvidas em sua mente e confusão na dela, mas ambos se aproximaram ainda mais. A moça se virou manhosamente e com as mãos deslizando por seus cabelos, com calma e firmeza, suas bocas se tocaram novamente.

Beijo.

Era tímido e suave, mas ascendeu de forma vigorosa que provocou uma força desesperada em ambos. Não mais entendiam o que aconteciam e estavam tão perdidos como toda a confusão que acontecia fora dali, mas ao mesmo tempo estavam calmos e certos do que estavam fazendo. Não pensavam no passado e nem no futuro. Pensavam no presente que aquele momento tinha proporcionado aos dois apaixonados. Era tudo o que existia para eles.

Apenas um momento naquele quarto esquecido.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Desejo dos Sentidos


É o que em meus lábios buscam.
Desbravando cada gota em sua pele.
Encontrando a paz somente em sua boca.
Degustando toda a imensidão de sua alma plena.
A doçura de um sonho que me faz desejar o segredo...

É o que em minha pele queima.
Batendo contra mim mesmo como o destino.
Ardendo ao toque como as chamas da insanidade.
Fumegando um sentimento instigante, mas onírico.
A maciez de um sonho que não me faz desejar a paixão...


É o que em meus ouvidos ecoa.
Caindo nos perigos da sua vontade.
Perseguindo as vibrações de sua voz.
Caindo pelas trovoadas de sua chegada.
A canção de um sonho que me faz desejar o temporal...

É o que em minha íris congela.
Guardando momentos de pura magia.
Seguindo o brilho daquela estrela gélida.
Projetando esperanças em uma praia vazia.
A luz de um sonho que me faz desejar a perdição...

É o que meu sentido inspira.
Farejando no ar o seu perfume.
Inebriando todos meus sentidos.
Levitando em um profundo êxtase.
A suavidade que um sonho que me faz desejar o amor...

terça-feira, 5 de abril de 2011

Para Sempre...


“Sempre existirá Paris”
Humphrey Bogart
Casablanca



A jovem estava sentada em uma cadeira de metal em estilo moderno sutilmente afastada da mesa redonda com toalhas alviverdes. Embora estivesse na mais famosa avenida de Paris, o lugar estava relativamente vazio. O Montecristo Café era um local aconchegante com poucas mesas na rua protegida com toldos vermelhos. Eram servidos vários tipos de café, mas como uma brasileira ela estava acostumada a pedir um simples quando no máximo um capuccino.
No entanto, nada disso permeava a mente dela. Na verdade estava muito ansiosa a espera daquele que a tinha tirado de sua semana de trabalho. Ela estava na França representando uma firma portuguesa em que trabalhava desde que tinha se formado na faculdade de Coimbra e decidido não mais voltar ao Brasil.
Tinha sido uma coincidência incrível quando a moça descobriu que seu amigo de infância, que não via há quase 10 anos, também estava em Paris, mas este a passeio com sua família. Para ela era quase mágico saber que ambos estavam longe de seu país de origem, longe do local de trabalho, mas se encontrariam mesmo assim depois de tanto tempo separados. Isso se tornava mais forte sabendo que tinham sido namorados na escola. Aquele primeiro amor que se tornou difícil de esquecer, mas a vida e o destino tinham feito questão de separar.
A mulher estava muito ansiosa.
Será que ele ainda pensava nela? Será que em momentos tristes ou desilusões amorosas ele pensava nela e tentava entender o porquê aquele amor não tinha dado certo como ela sempre refletia? Será que ele ainda a amava?
A mulher afastou esses pensamentos ao ver seu antigo amigo se aproximar atravessando a Avenida Champs Élysées e a vendo já de longe. Ela achou fantástico o tempo não ter alterado quase nada nele e de perto pode perceber que nenhuma linha do tempo tinha maltratado seu lindo rosto. Entretanto aquilo a fez sentir certa vergonha de si mesma, pois sabia que não estava mais tão bonita como antes.
O rapaz a cumprimentou e a beijou no rosto educadamente. Ela sentiu sua própria pele queimar e imaginou se estava corada. Considerou-se uma idiota por ter sentimentos de uma estudante mesmo sendo mais velha e rezou para que seu amigo não percebesse a profusão se emoções que corriam por toda sua mente.
Eles conversaram e relembraram do passado fazendo aquela tarde ser longa e de certa forma onírica. Havia uma letargia no ar e parecia que os bons tempos tinham voltado pela força avassaladora da saudade. Ambos esqueceram das vidas que tinham e embora tinham revelados seus feitos um para o outro no início da conversa, os anos que passaram separados não importavam nem um pouco.
O dia atingia seu crepúsculo como aquele encontro e assim ambos falavam cada vez mais na tentativa débil de adiar o inevitável. Foi nesse momento que o amigo a fez a pergunta fatídica. Ele a indagou sobre o que tinha acontecido com os dois e como podiam não estar mais juntos.
A mulher ficou sem jeito e tentou disfarçar dizendo que não era ela que tinha se casado e estava com três filhos. Não era ela que tinha levado a vida por um caminho tão diferente e seguido adiante.
O homem sorriu e, olhando nos olhos dela, disse que nunca tinha amado tanto alguém como ela. Nunca uma mulher o tinha feito sonhar como aquela garota da escola. Seu primeiro amor. O primeiro amor de ambos...
Uma confusão de sentidos penetrou inexoravelmente na jovem que se levantou tentando se despedir de seu amigo... se despedir de seu amor. Ambos não tinham mais tempo para aquilo e a vida os tinha levado a caminhos tão diferentes que aquela conversa tinha se transformado em algo injusto e dolorido.
Entretanto ela mesma se surpreendeu deixando levar pelas suas emoções beijando o amigo...
Foi um beijo longo. Ele a abraçou com força e ao mesmo tempo com carinho em uma dicotomia que apenas um homem apaixonado era capaz de fazer.
O tempo simplesmente parou.
Se eles já estavam envolvidos por aquele sentimento apaixonado e saudosista agora ambos estavam totalmente arrebatados. Aquilo era forte demais para os dois e eles claramente tentaram aproveitar o momento ao máximo possível.
Seus sentimentos diminuíram e o casal se separou novamente. Mais uma vez um sorriso torto se formou no rosto do homem fazendo a moça sorrir com facilidade.
Ambos sabiam que aquilo não iria para frente. Sabiam que se despediriam ali e cada um iria tocar sua vida sozinho, pois não havia mais espaço para aquele sentimento na rotina deles.
Eles partiram.
Sem um saber do outro, os dois lembraram do antigo filme preferidos de ambos nos tempos de escola. Tinham visto Casablanca juntos pela primeira vez no inicio do namoro juvenil e o tinham escolhido como símbolo do sentimento deles. Mal sabiam que a frase de Rick Blaine, personagem interpretado pelo ator estadunidense Humphrey Bogart, seria tão marcante e propícia como agora.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Estrela do Mar


“O pescador tem dois amor
Um bem na terra, um bem no mar”
O Bem do Mar – Dorival Caymmi



O pescador olhava para o mar e sentia sua própria tristeza refletida nas ondas letárgicas do outono. Era extremamente difícil se conseguir peixes durante aquela época, mas o mais complicado era encarar sua própria família. Ver aqueles rostinhos decepcionados quando ele não traz o único sustento da família.
Parecia aquele mais um dia como estes. Suas desventuras no mar trariam fome às pessoas que ele mais amava. Isso era mortal para o pescador e cada vez menos sentia vontade de voltar ao mar.
No entanto, parou o barco em um ponto qualquer e voltou a pôr a rede na água em sua última esperança de pescar peixes. Ficou ali um tempo e puxou a rede de volta sem nada encontrar, ou era o que imaginou naquele momento. Nos emaranhados de corda, lixo e algas o pescador encontrou algo que julgava nunca encontrar.
Uma estrela do mar.
Sentou no convés de seu pequeno barco totalmente fascinado pela beleza daquela brilhante estrela que ele encontrou em meio ao universo do oceano.
Era linda! Tinha o azul do céu e brilhava refletindo todas as luzes que caíam sobre ela, como se toda a beleza do mundo se curvasse diante dela.
Aquilo enchia os olhos do pescador, deixando-o em êxtase profundo. Então ele se lembrou do passado, quando viu pela primeira vez uma estrela do mar.
Infante ainda na época, ele não sabia como reagir a àquela beleza, não sabia apreciar sua delicadeza, mas seu fascínio já tinha encantado o pescador.
Lembrou das brincadeiras que fazia com os amiginhos da escola e do tempo que passava com seu pai na pescaria. Adorava aquilo, adorava os tempos do colégio, em que sua única preocupação era se divertir. O pescador teve saudade daquele tempo.
A estrela do mar lhe trouxe todas aquelas boas lembranças. Ele quase pode sentir tudo novamente, como se vivenciasse de novo. Queria agradecer à linda estrela por ter feito tudo isso, mas não sabia se ela entenderia. Na verdade não saberia como fazer, pois era um simples pescador e entendia apenas de peixes.
Revigorado ele voltou a jogar a rede no mar e buscou, inspirado pela estrela do mar, o sustento para sua família. Não mais importava se conseguiria ou não, o pescador estava feliz como não era há muito tempo. Isso devia muito a ela...
Estrela do mar.

sábado, 10 de julho de 2010

Vinícius de Moraes

"Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos...

Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre...

Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados...

Podemos nos telefonar... conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo...

Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!

A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos...

Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo...

Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades..."

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Aparência...

Embora exista até um comercial dizendo que a imagem não é nada, aprendi na publicidade que as aparências podem influenciar muito!
Alguns vão querer negar, mas a primeira impressão pode marcar o conceito que as pessoas têm sobre um individuo, pois muitas vezes quem você é realmente não importa. Vivemos fazendo projeções das pessoas e esperamos que elas agissem de acordo com o que imaginamos. Esquecemos que cada indivíduo é único e que não compreendemos completamente as pessoas e quase sempre julgamos errados aqueles que nos cercam.
Tenho um grande amigo que exemplifica tão bem o que estou escrevendo que ele me faz refletir muito sobre esse assunto.
A primeira vista pode-se achar que meu amigo é um playboy típico. Vai à academia quase todos os dias, se veste bem, tem carro e sempre está azarando alguma garota nas festas. Um legítimo Don Juan, ou alguns ainda o chamaria de galinha, mas será que ele é assim mesmo?
Eu mesmo tinha essa imagem e pouco conversava com ele, embora o destino tenha sempre nos juntado, seja como vizinho de república, seja morando na mesma pensão. Isso fez com que eu o entendesse cada vez mais e percebi que ele era bem diferente do que todos, até eu, pensavam.
A primeira coisa que se percebe nele, e não se esperava, é a amizade. Grande companheiro que não o abandona nas festas para pegar aquelas garotas e parceiro nas melhores e piores horas. Sempre preocupado com todos em sua volta e sempre buscando apaziguar brigas para manter um ambiente agradável. Possui a mente aberta e está sempre pronto para conversar. Sabe levar as críticas muito bem e sabe quando deve criticar também.
Não liga tanto para as aparências, ao contrário do que possa parecer.
Muitos podem achá-lo superficial, mas é dotado de uma inteligência impar e capacidade incrível de compreender as pessoas, sempre vendo o outro lado da história.
Há pessoas, em nosso convívio, que ainda julgam mal meu amigo, mas ele é uma das pessoas de melhor caráter que eu tive o privilégio de conhecer.
Como sempre as pessoas são mais profundas que imaginamos e nem sempre elas agem da forma que esperamos. Devemos entender que as pessoas não são boas ou más, todas elas têm qualidades e defeitos e devemos aceitar e amar ambos, pois é isso que nos torna fiéis amigos.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Cotidiano...


Era um homem comum em um dia normal de uma cidade qualquer. Não havia nada de especial nele como não há nesta história. Se estiver procurando algum conto fantástico de pessoas incríveis e originais procure outros escritos meus ou vá para outro blog. Este aqui é sobre pessoas do cotidiano...
Ele estava no fim de um dia como todos os outros e, como tal, estava cansado das aulas e do estudo diligente para uma prova.
Nada demais!
De repente ele se assusta com um telefonema. Foi atender e era sua amiga. Uma daquelas amigas próximas que todos nós temos. As que contam seus segredos e desilusões e nos permite fazer o mesmo. Uma companheira para os dias mais escuros e os dias mais felizes.
Aquele na verdade era um dia escuro. Ambos estavam passando por uma péssima situação financeira. Estudavam, mas não tinham emprego. A situação tinha apartado e os dois não tinham sequer dinheiro para jantar naquela noite.
Ela o convidou para ir a sua casa. Morava perto. Ele foi tranquilamente olhando as pessoas na rua, apreciando a noite e desesperadamente tentando tirar poesia das pessoas e lugares que passava pelo caminho. Não conseguiu. Tudo era irritantemente comum. Estava pessimista e isso era normal para alguém na situação dele. Tanto a fazer e tão pouco tempo...
Estava velho, a seu ver, para a faculdade. Não tinha emprego e estava duro. Pensava que já devia ter conquistado muito e nada tinha feito. Às vezes pelas circunstâncias da vida, às vezes por culpa dele mesmo. Estava ali, andando, e o destino tinha se revelado novamente para ele. Era um momento crítico e ele até sabia o que fazer, mas seria extremamente difícil e penoso. Faria, mas era incerto se conseguiria.
Chegou à casa da amiga que demorou um pouco para atender. Quando ela chegou ao portão ele pôde admirar, como sempre, a forma que a garota estava vestida. Uma blusinha verde listrada e calça jeans surradas, uma roupa simples. A amiga sempre estava bem-vestida, mas aquele dia deveria ser o mais comum de todos. Sua roupa era bonita, mas nada perto do que ele já tinha visto. Era um dia normal.
Entraram e conversaram um pouco. Descobriram que juntos não conseguiriam tirar nada para comer aquele dia. Dois desgraçados que não tinham nada!
No entanto, a garota teve uma idéia, na verdade uma lembrança veio à sua mente. Ela tinha um cartão que nunca havia usado. Era o cartão de uma loja, mas também funcionava como cartão de crédito. Não sabiam se funcionaria realmente, mas da forma que estava era a única alternativa.
Naquela hora da noite apenas as lanchonetes estavam abertas. Como não sabiam do futuro eles não queriam gastar muito. A solução veio como um lugar que servia hot-dog. Era grande e barato, assim se dirigiram ao local.
Não era muito perto de onde eles moravam, mas dava para ir tranquilamente a pé e mesmo porque eles não tinham outra opção. Foram passos rápidos e com pouca conversa, pois a fome estava apertando.
Chegaram ao lugar e encontraram, como de costume, uma grande fila e tiveram que esperar mais.
Dor no estômago!
Fizeram o pedido, mesmo a menina pediu o maior lanche, e ficaram esperando o cartão passar. Era aquela expectativa que apenas as pessoas que já passaram por aquilo sabiam. Será que tinha saldo? Funcionaria? Impressionante como os segundos ficam longos em determinadas situações.
Frio no estômago!
O cartão passou e a reação de alívio ficou tão evidente nos dois que até o homem que estava no caixa achou aquilo estranho.
Sentaram. Ela foi lavar as mãos e ele arrumou as cadeiras. Esperaram os lanches que pareciam que nunca chegariam.
Os hot-dogs chegaram. Sem cerimônias costumeiras ambos comeram os lanches. Normalmente já era complicado comer aquilo, pois era grande e acabava caindo um pouco se não tivesse cuidado, mas não se importaram.
Logo nas primeiras mordidas a menina tinha sujado todo o seu nariz de purê de batata. Ela sorriu envergonhada e aquilo foi engraçadíssimo!
Ele quis tirar uma foto dela, a amiga protestou, mas aceitou mesmo assim. A foto não saiu boa, mas mesmo assim ele não se importou. Aquela imagem dela ficaria na sua mente para o resto de seus dias. A amizade dela e o carinho ele levaria eternamente em seu coração.
A amiga estava feliz por aquele momento, não apenas por saciar a própria fome, mas também por ter ajudado o amigo. Alguém que sempre fora prestativo e tinha ajudado nos dias negros dela também. Queria muito ajudá-lo, pois era bem quisto. Mal ela sabia que aquela tinha sido a única refeição dele aquele dia...