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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Perto.


“Não quero estar neste lugar e ver você partir
eu quero te esperar aonde você quer ir
te receber
te acomodar
te oferecer a mão
poder cantar, te acompanhar ao violão”
De Perto – Os Paralamas do Sucesso

Olhou pela janela observando o belo jardim que se espalhava na frente de um pequeno quarto na parte velha da cidade. Imaginou se ela passaria por ai e voltou a ver a cama vazia tomando um trago da garrafa de cerveja que tinha nas mãos. Lembrou dos momentos que acabara de ter junto com a mulher que amava e como algo tão lindo podia ter se perdido assim.
Voltou a olhar para fora e viu várias pessoas passando e se perguntou como deveriam ser suas vidas na complexidade e profusão de sentimentos que ele mesmo se via. Ele tinha conhecido muitas mulheres e passado por aquilo várias e várias vezes e então porque era diferente agora? O que tinha mudado?
Não tinha entendido bem o porquê ela o deixou, mas de qualquer forma ele mesmo sabia que as coisas seriam mais serias agora e estava na fase que normalmente a afastaria. Fez isso com todas as mulheres que teve e por algum motivo tinha se sentido muito mal desta vez.
Ele a viu atravessando as ameias floridas da primavera que embelezavam ainda mais o jardim do parque e entendeu que era ela diferente. Que encontrara uma mulher diferente de todas as que passaram por aquele quarto e contemporizou se não havia perdido a mulher de sua vida.
Não!
Estava sendo romântico e isso ele apenas era para conquistar as mulheres. Estava agindo como alguém que não estava no controle. Alguém... apaixonado.
Então ele finalmente entendeu a diferença de seus sentimentos e como aquela mulher era diferente. Ele a viu parar e quase olhar para trás. Quase a chamou aos berros, mas sabia que aquele não seria o momento. Ele perdeu o momento ou talvez devesse ter apenas a paciência para esperar que um dia eles pudessem ficar juntos.
Alimentava a esperança como um jovem apaixonado, mas ele seguiria a vida dele. Talvez pudesse ter-la de volta. Lembrou de uma antiga frase que dizia que um verdadeiro homem não é aquele que conquista várias mulheres, mas aquele que conquista a mesma mulher várias vezes. Ele a queria mais uma vez ali, não longe, mas...
De perto.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Adeus.


“Ela se vestiu, e se olhou;
sem luxo, mas se perfumou.
Lágrimas por ninguém,
só porque, é triste o fim.
Outro amor se acabou.”
Ela disse Adeus – Os Paralamas do Sucesso

A menina caminhou entre as ameias floridas da primavera, mas mesmo com todas aquelas cores, a alegria não atingia a sua alma. Sua mente não estava ali, mas no quarto que acabara de sair, de ter sido abandonada. Pensou em olhar para trás uma última vez, talvez buscando aquele que a tinha deixado, mas desistiu rapidamente desses pensamentos e só pensava como ainda não havia chorado. Depois de tudo que aconteceu, não tinha derrubado uma lágrima ainda.
Aquilo tudo era tão injusto, tão derradeiramente injusto. Ela o tinha amado tanto, talvez mais que os outros e mesmo assim tudo tinha dado errado. Realmente tentou fazer tudo certo desta vez. Prometera a si mesma a nunca se entregar totalmente de novo, devido a decepções passadas, mas não tinha conseguido evitar. Ele era tão apaixonadamente charmoso. Seu sorriso era tão lindo e as marcas do tempo que se formavam em seu rosto lhe davam uma calma única.
Não queria, mas aconteceu e agora só podia lamentar por ter ocorrido da mesma forma que tantas outras vezes. Ela o amou, mas o fez sozinha como nos versos de Poe e pensou se em algum momento aquele lindo rapaz de olhos escuros gostou realmente dela em algum momento.
Tinha feito tudo por ele e foi em vão. Achou que naquele momento seria diferente. Apostou tudo por aquele homem. Tudo seu era de seu amado e ele tinha o coração dela nas mãos, mas preferiu partir em outras aventuras. Ela seria apenas mais uma daquelas aventuras, pois o amor tinha se fragmentado em mil pedaços como um vidro que se quebra e nunca mais pode ser concertado totalmente.
Mais uma vez ela estava sozinha e novamente às ironias do destino a exigiam força para seguir em frente. Sim! Seria forte, mas estava tão cansada de ser forte sempre. Tão cansada de nunca demonstrar seus sentimentos. Suas fraquezas. Isso a estava deixando dura e tinha medo que seu jeito a fizesse se tornar uma mulher sozinha e isso era, talvez, o que mais a assustava.
A jovem perdida meneou até um banco quase em vertigem. Sentou. Colocou as mãos ao rosto quente e as lágrimas salgadas finalmente deslizaram em sua pele alva como a chuva suave das tardes que teimavam não vir naquele dia. O dia estava feliz, era apenas ela que estava triste. Apenas ela. Foi então que olhou para trás e...
Ela disse adeus.