domingo, 9 de maio de 2010

Acalento do Desespero

“Este homem que vos fala,
Não é somente um poeta cantor
E esta canção que vos embala,
Nunca deverá ser um desabafo de dor.

Uma exaltação que nunca se cala,
Nem diante do mais forte ardor
Mesmo a escuridão desta sala,
Ilumina-se ante o caloroso amor.”

Poema escrito em parceria com Ariane Fernandes

sábado, 8 de maio de 2010

Noite Tenebrosa

Adormecida na putrefação de sua própria existência
A noite tenebrosa abala tudo que perto dela ousa chegar
Quantos de nós pediram por clemência,
E aos nossos Deuses retornamos a chorar?

Quão furiosa ao se despertar
Com seu negror a nos consumir
Mas não nos deixemos amedrontar!
Um leal companheiro nunca tarda a reagir!

Sejamos tão corajosos quanto podemos ser,
Sigamos com fé que alcançaremos nossos ideais,
Mesmo que nas profundezas tenhamos que descer!
Heraldos declamam nossos feitos e nos tornaremos imortais!

Poema escrito em parceria com Ariane Fernandes

quinta-feira, 6 de maio de 2010

A Borboleta e o Urso

A borboleta encontrou o urso!
Viu que os animais fugiam dele,
mas algo estranho ocorreu...
Ela não ficou com medo,
pois viu o olhar amigo do urso!

Confiante a borboleta se aproximou!
Não via a maldade no urso,
mas havia certo receio...
Enfim a borboleta pousou no fucinho,
mas o urso nada fez!

Os dois ficaram em silêncio!
O urso estava totalmente perplexo,
pois nunca tinha visto uma borboleta tão corajosa...
A pequena ficou feliz,
já que percebera a admiração que provocava!

O urso subitamente se mexeu!
Tocou com cuidado a borboleta,
mas ele era muito bruto...
Segurou a pequena com suas garras sujas,
assim machucou a borboleta!

A Borboleta caiu no campo!
O Urso ficou triste,
pois apenas queria acariciá-la...
Entretanto a borboleta voltou a voar,
pois tinha aprendido a ser forte!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

... O Urso

Era uma vez um urso!
O animal mais forte da floresta,
mas ele vivia sendo caçado...
Tinha muitos talentos,
assim muitos queriam sua morte!

O urso tinha que lutar sempre!
Era muito corajoso,
mas também muito temido...
Não tinha amigos na floresta,
pois suas garras sempre tinham sangue!

A solidão o acompanhava!
Tinha um bom coração,
mas sua vida o tornara bruto...
Sempre bravo e ameaçador,
pois ninguém gostava dele!

Conhecia apenas os caçadores!
Seu urro era alto e poderoso,
mas era um grito de dor...
Não queria mais estar sozinho,
mas que animal se aproximaria dele?

A Borboleta...

Era uma vez uma pequena lagarta!
A lagarta vivia triste e desconsolada,
pois era feia e não tinha muita inteligência...
Ela era muito estabanada e desengonçada,
mesmo para uma lagarta!

Todos os animais da floresta riam da pobrezinha!
Diziam todos que não havia talentos na lagarta,
logo a pequena lagarta se isolava cada vez mais...
Não conseguia mais suportar as provocações,
assim a lagarta voltou-se para si mesma!

Em seu casulo a lagarta ficou!
Sozinha ela começou a refletir,
mas não mais triste a pequena ficava...
Finalmente ela percebeu que não era feia,
pois todos tinham inveja da lagarta!

Assim a lagarta virou uma borboleta!
Toda feliz ela saiu do casulo,
para enfim ganhar o mundo...
Os animais sentiam ainda mais inveja,
mas a borboleta voava por cima deles!

Agora a borboleta era dona de si!
Pairava pelo campo de tulipas,
ela não era a única beleza no mundo...
Suas asas eram fortes e firmes,
pois o céu era da borboleta agora!

Poema dos Seis Heróis

“A palavra será a redenção dos pecadores
Apenas o mais misericordioso a portará
O Mal rastejará novamente para as profundezas

O escudo será a proteção dos desamparados
Apenas o mais honrado o portará
O Mal rastejará novamente para as profundezas

A espada será a justiça dos oprimidos
Apenas o mais temerário a portará
O Mal rastejará novamente para as profundezas

O cajado será a lei dos desesperados
Apenas o mais prudente o portará
O Mal rastejará novamente para as profundezas

A flecha será o equilíbrio dos soberbos
Apenas o mais sábio a portará
O Mal rastejará novamente para as profundezas

O machado será a vingança dos esquecidos
Apenas o mais audacioso o portará
O Mal rastejará novamente para as profundezas”

domingo, 2 de maio de 2010

Quem quer viver para sempre?


“There's no time for us
There's no place for us
What is this thing that builds our dreams
And slips away from us?
Who wants to live forever?”
Queen

Meu nome é Raphael Albuquerque Gonçalo Dias de Castelo Branco e Oliveira. Nasci em 1557 na Cidade do Porto em minha amada Portugal. Tive minha primeira morte na Batalha de Alcácer-Quibir em 1578. Sim, minha primeira morte! São como nós chamamos o despertar para a imortalidade. Algo que muitos chamariam de bênção, pois imagine não morrer. Imagine atravessar os séculos e ver como tudo muda; as pessoas, os países e as idéias. Tenho quase quinhentos anos e isso não me traz alegria alguma, muito pelo contrário. Não! Isso não é uma bênção, mas uma maldição.
Eu tenho andado pelo mundo afora e isso tem me tornado cada vez mais triste, pois é o que acontece quando não mais se reconhece o mundo. Quando se é criado de uma forma e acaba descobrindo que apenas você pensa deste modo ainda. Quando se torna anacrônico e percebe que não há mais tempo para mudar, para se readaptar. Sua ética e até mesmo seus sentimentos não cabem mais neste mundo. Quando ninguém mais pensa como você!
Tive algumas mulheres, mas fui ficando mais frio à medida que elas envelheciam e eram ceifadas pelo tempo que nunca vinha me buscar. Enterrei muitos amores, sejam mulheres ou sejam amigos e agradeço ao meu Senhor que não tenha me dado filhos, pois não suportaria vê-los envelhecer.
No entanto, algo surpreendente acontece. Encontro uma mulher como eu, imortal, e sou levado a acreditar no amor. Que ela trará o resplendor do dia novamente afastando toda aquela avassaladora tempestade. Tenho esperança de novo, mas não por muito tempo. Quanto mais eu chego perto dela, mais me decepciono. Acho que ela pensa como eu, que tem os mesmos ideais, mas ela é como todas as outras e isso me traz os dias sombrios...
Não, a felicidade que vejo em todas as pessoas não é para mim. Sua débil, mas acolhedora ignorância os faz felizes, mas eu continuo a caminhar sozinho. Continuo no escuro e a esperança me abandonou totalmente.
Isso ocorre quando chego à conclusão que o mundo está errado. Que tudo está errado! Nada é como antes. Os valores se perderam e a moral foi totalmente deturpada nos dias de hoje. Sim! Esse pensamento me conforta por um tempo, isso faz com que eu consiga dormir nas noites frias...
Entretanto, logo percebo que não estou certo e a verdade me golpeia inexoravelmente. Ela não tem piedade em clarear minha mente. Quem está errado sou eu! Afinal não se pode estar certo e todos os outros errados, não?
Não é o mundo que está errado, mas sim eu é que não mais me encaixo nele e percebo hoje que eu nunca me encaixei. Uma exceção à regra, uma anomalia, uma abominação!
Então ao andar nas ruas vejo que tudo se torna onírico como se eu não passasse de um velho fantasma.
Eu não reconheço mais os rostos.
Eu não reconheço mais os lugares.
Eu não reconheço mais nada.
Não está tudo errado! Eu é que não pertenço mais ao mundo.
Eu estou sozinho! Sozinho em meio a uma multidão.

Conto ambientado no universo do filme Highlander.