quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Celofane


Em meio a uma profusão de personalidades.
Palavras cruzadas e idéias ascendendo.
Mudos esquecidos em plena atividade.
Ignorados em sombras ressentidas.
Sozinho no olho de um furação.

Crepúsculo dos sentimentos de falta.
Isolado pelas alegrias alheias.
Querer estar e nunca ser lembrado.
Abismo que separa os olhares.
Longe da busca dos corações.

Saber da presença, mas não encontrar.
Reconhecimento apenas de mim mesmo.
Esquecido em meio aos egos inflados.
Perda das palavras de acalento.
Um deserto de grãos de areia.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Tempo e Espaço


A eminência do êxtase no momento.
Os lábios desejosos que sobem com delicadeza.
Quando os pés abandonam o firmamento.
A coragem que torna a vertigem em certeza.

As almas se dilatam pelo intenso prazer.
Tocam e expandem pelo além da consciência.
Tudo transforma e não há mais o que fazer.
Arrebatados pelo medo da ausência.

Um é de outro e outro é de um.
Eu não sou mais e não a mais você.
Junto e misturado como se fosse um.
Plenamente dentro de você.

sábado, 24 de setembro de 2011

Mãos que tocam o coração...


Tão longe do coração e tão longe do alcance das mãos...
Tenho sonhado com você, mas são apenas desejos esquecidos.
Chamo-te cada vez mais alto, mas você não vem para mim.
Tento lutar contra, entretanto receio que você quer assim.
Caindo nas ironias de minh’alma em versos nunca lidos.

Tão perto do coração e tão longe do alcance das mãos...
Acho que ainda não tenho a sabedoria de compreender como é possível.
Gostar tanto de uma pessoa e sofrer ao mesmo tempo e mesmo assim.
Não sentir vontade de me afastar, mas te querer mais perto de mim.
Assim não ser correspondido me parece também tão incrível.

Tão longe do coração e perto do alcance das mãos...
Tento me aproximar, mas você nunca me deixa entrar plenamente.
A porta parece ser sempre fechada para mim, apenas para mim.
Sinto uma desolação inexorável, como se me afogasse em um mar sem fim.
Quero apenas ficar acolhido em você para nunca mais poder sair totalmente.

Tão perto do coração e tão perto do alcance das mãos...
Conquisto você a cada dia, pois não há mais nada o que posso fazer.
Espero que um dia, sinceramente, você aceite tudo que há em mim.
Talvez um dia exista felicidade e que essa história tenha um fim.
Se não, eu tenho meu amor perdido, que apenas você pode trazer.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

É o que todos dizem...


É o que todos dizem sobre a Esperança.
Sonhos impulsionam mesmo a humanidade?
Otimismo vence sempre o desespero?
Força de Vontade nos faz seguir em frente?

É o que todos dizem sobre os Obstáculos.
Seriam esses muros altos demais?
Somos realmente capazes de superá-los?
Existe mesmo um prêmio do outro lado?

É o que todos dizem sobre a Estrada.
Sobreviveremos ao ardor das dificuldades?
Resistiremos à labuta do caminho?
Achar-nos-emos em meio aos meandros da vida?

É o que todos dizem sobre o Combate.
Lutar sempre é o que devemos fazer?
Temos sempre um inimigo para enfrentar?
A vitória sempre é algo esperado?

É o que todos dizem sobre a Justiça.
O mundo sempre está em equilíbrio?
As boas ações são mesmo recompensadas?
A voz do povo sempre é a mais correta?

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Desejo dos Sentidos


É o que em meus lábios buscam.
Desbravando cada gota em sua pele.
Encontrando a paz somente em sua boca.
Degustando toda a imensidão de sua alma plena.
A doçura de um sonho que me faz desejar o segredo...

É o que em minha pele queima.
Batendo contra mim mesmo como o destino.
Ardendo ao toque como as chamas da insanidade.
Fumegando um sentimento instigante, mas onírico.
A maciez de um sonho que não me faz desejar a paixão...


É o que em meus ouvidos ecoa.
Caindo nos perigos da sua vontade.
Perseguindo as vibrações de sua voz.
Caindo pelas trovoadas de sua chegada.
A canção de um sonho que me faz desejar o temporal...

É o que em minha íris congela.
Guardando momentos de pura magia.
Seguindo o brilho daquela estrela gélida.
Projetando esperanças em uma praia vazia.
A luz de um sonho que me faz desejar a perdição...

É o que meu sentido inspira.
Farejando no ar o seu perfume.
Inebriando todos meus sentidos.
Levitando em um profundo êxtase.
A suavidade que um sonho que me faz desejar o amor...

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Nova Amiga



O que posso escrever sobre aquela que me ganhou tão rápido?
Chegou tão suave e inexorável como uma avassaladora tormenta.
De olhos que, embora sejam escuros, possuam brilho intenso.
Cuja amizade sempre foi sincera e não laboriosa de conquistar.
Possuidora de um sorriso que afugenta as tristezas mais profundas.
O abraço mais confortável que alguém poderia querer.
Garota de andar maroto e jeitinho meigo...


terça-feira, 5 de abril de 2011

Para Sempre...


“Sempre existirá Paris”
Humphrey Bogart
Casablanca



A jovem estava sentada em uma cadeira de metal em estilo moderno sutilmente afastada da mesa redonda com toalhas alviverdes. Embora estivesse na mais famosa avenida de Paris, o lugar estava relativamente vazio. O Montecristo Café era um local aconchegante com poucas mesas na rua protegida com toldos vermelhos. Eram servidos vários tipos de café, mas como uma brasileira ela estava acostumada a pedir um simples quando no máximo um capuccino.
No entanto, nada disso permeava a mente dela. Na verdade estava muito ansiosa a espera daquele que a tinha tirado de sua semana de trabalho. Ela estava na França representando uma firma portuguesa em que trabalhava desde que tinha se formado na faculdade de Coimbra e decidido não mais voltar ao Brasil.
Tinha sido uma coincidência incrível quando a moça descobriu que seu amigo de infância, que não via há quase 10 anos, também estava em Paris, mas este a passeio com sua família. Para ela era quase mágico saber que ambos estavam longe de seu país de origem, longe do local de trabalho, mas se encontrariam mesmo assim depois de tanto tempo separados. Isso se tornava mais forte sabendo que tinham sido namorados na escola. Aquele primeiro amor que se tornou difícil de esquecer, mas a vida e o destino tinham feito questão de separar.
A mulher estava muito ansiosa.
Será que ele ainda pensava nela? Será que em momentos tristes ou desilusões amorosas ele pensava nela e tentava entender o porquê aquele amor não tinha dado certo como ela sempre refletia? Será que ele ainda a amava?
A mulher afastou esses pensamentos ao ver seu antigo amigo se aproximar atravessando a Avenida Champs Élysées e a vendo já de longe. Ela achou fantástico o tempo não ter alterado quase nada nele e de perto pode perceber que nenhuma linha do tempo tinha maltratado seu lindo rosto. Entretanto aquilo a fez sentir certa vergonha de si mesma, pois sabia que não estava mais tão bonita como antes.
O rapaz a cumprimentou e a beijou no rosto educadamente. Ela sentiu sua própria pele queimar e imaginou se estava corada. Considerou-se uma idiota por ter sentimentos de uma estudante mesmo sendo mais velha e rezou para que seu amigo não percebesse a profusão se emoções que corriam por toda sua mente.
Eles conversaram e relembraram do passado fazendo aquela tarde ser longa e de certa forma onírica. Havia uma letargia no ar e parecia que os bons tempos tinham voltado pela força avassaladora da saudade. Ambos esqueceram das vidas que tinham e embora tinham revelados seus feitos um para o outro no início da conversa, os anos que passaram separados não importavam nem um pouco.
O dia atingia seu crepúsculo como aquele encontro e assim ambos falavam cada vez mais na tentativa débil de adiar o inevitável. Foi nesse momento que o amigo a fez a pergunta fatídica. Ele a indagou sobre o que tinha acontecido com os dois e como podiam não estar mais juntos.
A mulher ficou sem jeito e tentou disfarçar dizendo que não era ela que tinha se casado e estava com três filhos. Não era ela que tinha levado a vida por um caminho tão diferente e seguido adiante.
O homem sorriu e, olhando nos olhos dela, disse que nunca tinha amado tanto alguém como ela. Nunca uma mulher o tinha feito sonhar como aquela garota da escola. Seu primeiro amor. O primeiro amor de ambos...
Uma confusão de sentidos penetrou inexoravelmente na jovem que se levantou tentando se despedir de seu amigo... se despedir de seu amor. Ambos não tinham mais tempo para aquilo e a vida os tinha levado a caminhos tão diferentes que aquela conversa tinha se transformado em algo injusto e dolorido.
Entretanto ela mesma se surpreendeu deixando levar pelas suas emoções beijando o amigo...
Foi um beijo longo. Ele a abraçou com força e ao mesmo tempo com carinho em uma dicotomia que apenas um homem apaixonado era capaz de fazer.
O tempo simplesmente parou.
Se eles já estavam envolvidos por aquele sentimento apaixonado e saudosista agora ambos estavam totalmente arrebatados. Aquilo era forte demais para os dois e eles claramente tentaram aproveitar o momento ao máximo possível.
Seus sentimentos diminuíram e o casal se separou novamente. Mais uma vez um sorriso torto se formou no rosto do homem fazendo a moça sorrir com facilidade.
Ambos sabiam que aquilo não iria para frente. Sabiam que se despediriam ali e cada um iria tocar sua vida sozinho, pois não havia mais espaço para aquele sentimento na rotina deles.
Eles partiram.
Sem um saber do outro, os dois lembraram do antigo filme preferidos de ambos nos tempos de escola. Tinham visto Casablanca juntos pela primeira vez no inicio do namoro juvenil e o tinham escolhido como símbolo do sentimento deles. Mal sabiam que a frase de Rick Blaine, personagem interpretado pelo ator estadunidense Humphrey Bogart, seria tão marcante e propícia como agora.