segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Nova Amiga



O que posso escrever sobre aquela que me ganhou tão rápido?
Chegou tão suave e inexorável como uma avassaladora tormenta.
De olhos que, embora sejam escuros, possuam brilho intenso.
Cuja amizade sempre foi sincera e não laboriosa de conquistar.
Possuidora de um sorriso que afugenta as tristezas mais profundas.
O abraço mais confortável que alguém poderia querer.
Garota de andar maroto e jeitinho meigo...


terça-feira, 5 de abril de 2011

Para Sempre...


“Sempre existirá Paris”
Humphrey Bogart
Casablanca



A jovem estava sentada em uma cadeira de metal em estilo moderno sutilmente afastada da mesa redonda com toalhas alviverdes. Embora estivesse na mais famosa avenida de Paris, o lugar estava relativamente vazio. O Montecristo Café era um local aconchegante com poucas mesas na rua protegida com toldos vermelhos. Eram servidos vários tipos de café, mas como uma brasileira ela estava acostumada a pedir um simples quando no máximo um capuccino.
No entanto, nada disso permeava a mente dela. Na verdade estava muito ansiosa a espera daquele que a tinha tirado de sua semana de trabalho. Ela estava na França representando uma firma portuguesa em que trabalhava desde que tinha se formado na faculdade de Coimbra e decidido não mais voltar ao Brasil.
Tinha sido uma coincidência incrível quando a moça descobriu que seu amigo de infância, que não via há quase 10 anos, também estava em Paris, mas este a passeio com sua família. Para ela era quase mágico saber que ambos estavam longe de seu país de origem, longe do local de trabalho, mas se encontrariam mesmo assim depois de tanto tempo separados. Isso se tornava mais forte sabendo que tinham sido namorados na escola. Aquele primeiro amor que se tornou difícil de esquecer, mas a vida e o destino tinham feito questão de separar.
A mulher estava muito ansiosa.
Será que ele ainda pensava nela? Será que em momentos tristes ou desilusões amorosas ele pensava nela e tentava entender o porquê aquele amor não tinha dado certo como ela sempre refletia? Será que ele ainda a amava?
A mulher afastou esses pensamentos ao ver seu antigo amigo se aproximar atravessando a Avenida Champs Élysées e a vendo já de longe. Ela achou fantástico o tempo não ter alterado quase nada nele e de perto pode perceber que nenhuma linha do tempo tinha maltratado seu lindo rosto. Entretanto aquilo a fez sentir certa vergonha de si mesma, pois sabia que não estava mais tão bonita como antes.
O rapaz a cumprimentou e a beijou no rosto educadamente. Ela sentiu sua própria pele queimar e imaginou se estava corada. Considerou-se uma idiota por ter sentimentos de uma estudante mesmo sendo mais velha e rezou para que seu amigo não percebesse a profusão se emoções que corriam por toda sua mente.
Eles conversaram e relembraram do passado fazendo aquela tarde ser longa e de certa forma onírica. Havia uma letargia no ar e parecia que os bons tempos tinham voltado pela força avassaladora da saudade. Ambos esqueceram das vidas que tinham e embora tinham revelados seus feitos um para o outro no início da conversa, os anos que passaram separados não importavam nem um pouco.
O dia atingia seu crepúsculo como aquele encontro e assim ambos falavam cada vez mais na tentativa débil de adiar o inevitável. Foi nesse momento que o amigo a fez a pergunta fatídica. Ele a indagou sobre o que tinha acontecido com os dois e como podiam não estar mais juntos.
A mulher ficou sem jeito e tentou disfarçar dizendo que não era ela que tinha se casado e estava com três filhos. Não era ela que tinha levado a vida por um caminho tão diferente e seguido adiante.
O homem sorriu e, olhando nos olhos dela, disse que nunca tinha amado tanto alguém como ela. Nunca uma mulher o tinha feito sonhar como aquela garota da escola. Seu primeiro amor. O primeiro amor de ambos...
Uma confusão de sentidos penetrou inexoravelmente na jovem que se levantou tentando se despedir de seu amigo... se despedir de seu amor. Ambos não tinham mais tempo para aquilo e a vida os tinha levado a caminhos tão diferentes que aquela conversa tinha se transformado em algo injusto e dolorido.
Entretanto ela mesma se surpreendeu deixando levar pelas suas emoções beijando o amigo...
Foi um beijo longo. Ele a abraçou com força e ao mesmo tempo com carinho em uma dicotomia que apenas um homem apaixonado era capaz de fazer.
O tempo simplesmente parou.
Se eles já estavam envolvidos por aquele sentimento apaixonado e saudosista agora ambos estavam totalmente arrebatados. Aquilo era forte demais para os dois e eles claramente tentaram aproveitar o momento ao máximo possível.
Seus sentimentos diminuíram e o casal se separou novamente. Mais uma vez um sorriso torto se formou no rosto do homem fazendo a moça sorrir com facilidade.
Ambos sabiam que aquilo não iria para frente. Sabiam que se despediriam ali e cada um iria tocar sua vida sozinho, pois não havia mais espaço para aquele sentimento na rotina deles.
Eles partiram.
Sem um saber do outro, os dois lembraram do antigo filme preferidos de ambos nos tempos de escola. Tinham visto Casablanca juntos pela primeira vez no inicio do namoro juvenil e o tinham escolhido como símbolo do sentimento deles. Mal sabiam que a frase de Rick Blaine, personagem interpretado pelo ator estadunidense Humphrey Bogart, seria tão marcante e propícia como agora.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O Segredo de Crisálida


Olá a todos!
Primeiramente venho pedir desculpas por não postar nada no blog por um bom tempo, mas estou envolvido em algumas estórias grandes demais para colocar aqui e se alguém desejar acompanhá-las pode acessar o site http://www.fanfiction.com.br/fizban
Hoje venho usar um pouco deste espaço para comentar sobre o lançamento de meu primeiro escrito na antologia de poemas chamada “O Segredo de Crisálida.”
Lançado dia 29 de janeiro deste ano na Biblioteca Alceu Amoroso Lima em São Paulo capital, o livro reúne vários autores organizados pela Andréa Catrópa e editados pela Andross.
Meu poema presente nessa antologia chama-se “Sombra” e já foi postado ano passado aqui mesmo nesse blog.
Fiquei muito contente pela aposta que a editora Andross e seus organizadores depositaram em um de meus trabalhos e me sinto realizado de certa forma.
Sem mais eu apresento a sinopse do livro e espero postar mais contos e poemas nesse blog em breve.

“O estado de permanente transição a que estamos condicionados talvez seja a essência inegável da vida. Tudo o que nos remete à passagem do tempo revela mutação. Lentas e graduais, ou bruscas e repentinas, as diversas transformações que vivenciamos cotidianamente irrompem como movimentos definidores de nossa identidade e construtores de nossa trajetória. A poesia é uma das formas mais frutíferas de expressão das metamorfoses. E, quase sempre, não se pode prever qual é o resultado das mutações. Então fica o mistério. É como tentar descobrir o segredo da crisálida.”

Muito Obrigado a todos que têm me acompanhado tão fielmente!

domingo, 26 de dezembro de 2010

O Urso e a Raposa

O urso ficou admirado com sua audácia!
A pelugem rubra podia tê-lo encantado,
mas era a inteligência da raposa que o impressionava...
Por um bom tempo ele ficou parado,
pois não tinha a menor idéia do que fazer!

A raposa se recostou no corpo do urso!
Aqueles braços poderosos a cobriram,
já que o urso tinha muito carinho guardado...
No entanto, ele era forte demais e,
como sempre, o urso machucou quem amava!

A raposa fugiu mais rápido que um raio!
Como os outros animais ela estava desesperada,
logo acabou se machucando caindo em um buraco...
Ficou presa em um emaranhado de gravetos,
com medo do grande urso que se aproximava!

O urso a resgatou prontamente!
Assim a raposa pode entender seu gesto,
pode entender que ele queria apenas seu bem...
Sentiu toda angustia do velho urso,
logo prometeu que nunca o abandonaria!

Um grande sentimento floresceu entre os dois!
O urso estava muito agradecido,
pois tinha encontrado uma amiga finalmente....
A raposa estava muito feliz,
agora tinha a quem confiar!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A Raposa

...então o urso caminhou sozinho mais uma vez!
Já estava acostumado a ser abandonado,
muitos animais não o compreendiam...
Toda a esperança tinha abandonado o urso,
entretanto ela reacendeu mais uma vez!

Passeava perto do urso uma doce raposa!
Era peralta e tinha uma beleza impar,
que demonstrava toda sua sagacidade...
Graciosa ao caminhar,
não demorou a perceber a presença do urso!

A raposa era um animal desconfiado por natureza!
Pequenina e extremamente frágil,
tinha aprendido a sobreviver com sua evasão...
Entretanto não era apenas furtiva a raposa,
pois tinha uma forte tendência a curiosidade!

A mais esperta dos animais da floresta!
Sua iniciativa a fazia agir sempre,
mas sua impulsividade já lhe trouxe problemas...
Estava indecisa ao que fazer,
já que o urso parecia ser ameaçador.

Era também tão intrigante!
A raposa o rodeava com estrema leveza,
atenta a todos os seus movimentos...
Ela olhou com desconfiança ao velho urso,
mas decidiu se aproximar toda amável!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A Lenda de Eastwood


“And I walk these streets, a loaded six string on my back
I play for keeps, 'cause I might not make it back
I've been everywhere, still I'm standing tall
I've seen a million faces and I've rocked them all”
Wanted Dead or Alive – Bon Jovi



Dwight Callahan heim? Estou sabendo! Bom, eu sei que não é sobre mim que você está interessado, já que eu não sou ninguém! Você quer saber do xerife Bill com certeza. Todo mundo quer saber dele! Não sei muito mais do que a maioria aqui de Eastwood e duvido que alguém lhe fale sobre o passado dele. Sabemos tudo sobre sua chegada e permanência em nossa miserável cidadezinha, mas o que veio antes é apenas estória que o povo conta.
Ficamos bem abaixo de Albuquerque e Santa Fé. Estamos muito longe da sua cidade ianque, seja ela qual for e diabos! Ficamos meio longe até mesmo de El Passo, mas passa por aqui quase todo viajante que quer chegar ao longínquo oeste sem ter que enfrentar a cordilheira que acompanha o Rio Grande vindo de Roswell. Esse é o caminho mais conhecido, mas não tão fácil. Têm os bandoleiros e bem, por essas terras, sempre tem os peles vermelhas.
Acho que não é isso que quer saber, não? Você quer saber sobre o xerife que carinhosamente chamamos de Bill Law. Bom, posso dizer, quase com certeza, que o nome dele é Willian Jackson Lawrence e foi sargento do décimo terceiro regimento da quinta cavalaria dos Estados Unidos da América. Sim, imagino que esteja pensando em Old Jack, mas falo nisso depois.
Dizem que Willian desertou em algum momento durante a Batalha de Little Big Horn onde muitos afirmam que ele foi viver entre os selvagens e se não acredita em mim, pode ir na delegacia conhecer o Cheyenne que está sempre com o xerife, mas o chame assim e você vai acabar com uma machadinha no peito!
Bom, mas deixa eu falar do primeiro dia em que a cidade viu o xerife. Eu estava sentado bem aqui, no fundo do saloon, quando ele entrou pela primeira vez. Ninguém o conhecia na época, nem de rumores. Sentou-se no balcão e pediu uma bebida qualquer para o Danny Boy. James Carson, que era o xerife de Eastwood na época, foi até o homem para saber o que aquele forasteiro queria por lá. Normalmente Carson não faria isso, mas Bill estava armado e ele resolveu perguntar. Era algo comum sabe? Muitos viajantes passam por aqui e a maioria armado. Já falei dos índios não? Enfim, quando James estava bem perto de Law houve um estrondo seco e o xerife caiu.
Lawrence tinha dado um tiro que pegou Carson de surpresa e deve ter morrido antes mesmo de cair no chão. Todos ficaram assustados, claro, mas ninguém gostava do xerife, pois ele trabalhava mais para os fazendeiros que para qualquer um que estava ali e isso marcou a sentença de James.
Bill pegou a estrela de xerife e colocou no próprio peito. Assim o homem virou lenda. Disse seu nome inteiro e falou que se alguém tivesse problemas com aquilo para procurá-lo na delegacia. Assim o novo xerife saiu e logo ouvimos mais tiros, era ele matando os dois únicos ajudantes do xerife e não ouvimos mais nada.
Todos ficaram com medo, pois como eu disse o antigo xerife trabalhava para os fazendeiros e logo haveria um tiroteio entre os capangas de algum colono e o pobre Willian, mas não foi isso que aconteceu.
Naquela mesma tarde; Frank Turner, o homem que tinha mais terras nas redondezas, apareceu na delegacia em pessoa, com seus homens, para conversar com o novo xerife. Acredito que ele pensou que podia comprar Lawrence como fazia com o outro, mas no meio da conversa acabou levando um tiro de surpresa também. Só que Turner não morreu e os capangas se prepararam para abrir fogo contra Bill.
Ninguém sabia, ou melhor ninguém teria sequer imaginado, mas havia homens nos telhados das casas perto da delegacia. Eram homens de Willian! Abriram fogo e houve uma pequena chacina em nossa pequena Eastwood.
Quando a poeira abaixou não tinha sobrado ninguém do lado de Turner, que também estava morto. O xerife deixou isso como um aviso para que ninguém desafiasse a sua lei. Sim, Lawrence era a lei agora e nenhum outro fazendeiro tentou matá-lo abertamente depois disso. Assim a lenda virou mito e muitas coisas se falam de nosso amado xerife Bill Law.
Agora vou lhe contar a primeira vez que eu vi Bill. Sim, eu acabei de contar a primeira vez que Eastwood o viu, mas eu já tinha visto ele antes e com esse breve relato você poderá tirar suas próprias conclusões sobre o passado de nosso xerife.
Estava em El Passo, ao sul daqui, quando o vi pela primeira vez, ou melhor, quando receio que o vi. Estava em um estábulo preparando meu cavalo para seguir viagem quando eu o vi entrar. Era o mesmo homem que se tornaria Bill Law com certeza. Aposto meu bigode nisso! Só que Willian estava vestido com uma farda dos confederados e isso tinha desagradado algumas pessoas ali. Havia um grupo de soldados da União que resolveram tirar satisfação com Bill. Aquilo deu em briga e você já deve imaginar o que aconteceu. Mas o mais importante era a farda, que todos sabem que a única pessoa que ainda tinha coragem de usar a farda nesses dias é o famoso criminoso conhecido como Old Jack!
Então tire suas próprias conclusões! Na verdade, acredito que já saiba de tudo que estou falando, pois eu percebi sua reação quando disse o nome do xerife inteiro.
Não! Está tudo bem! Imagino que seja um daqueles caçadores de recompensa pagos pelos fazendeiros que não querem peitar o Bill Law de frente ou talvez um dos novos agentes do presidente querendo descobrir se ele é realmente Old Jack.
Bom, tenho uma boa notícia e uma ruim para você.
Sim, a boa notícia é que ele realmente é o famigerado bandido, ou melhor dizendo, foi o pistoleiro e ladrão de bancos.
A má noticia, meu amigo, é que eu me juntei ao bando dele em El Passo e infelizmente terei que matá-lo agora. Nada pessoal sabe, mas é o meu trabalho. Tenho que matar qualquer forasteiro que venha perguntando do passado do xerife. Mas fique tranqüilo, escutará apenas um estrondo seco e morrerá rapidamente, sou bom nessas coisas sabe?

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Letrinhas Dispersas

Poucas vezes eu irei mudar a forma que eu posto em meu blog para escrever outros temas e esse é um desses momentos. Meu propósito é divulgar meus contos, estórias e poemas e tem sido assim desde quando o criei. No entanto, essa é a segunda vez que modifico isso e a razão não poderia ser mais especial.
Quero homenagear uma pessoa incrível em que conheço há muito pouco tempo, mas foi responsável indiretamente por esse blog, seja como fonte de inspiração, seja como apoio para continuar escrevendo...
Lívia Inácio.
Conheci-a no cursinho. Ela era aluna enquanto eu dava aulas de História do Brasil e infelizmente tivemos um contato muito superficial. Lívia passou no vestibular e foi fazer a tão sonhada faculdade de jornalismo.
Esse ano uma amiga em comum esteve trabalhando com ela por um tempo e, mediante a esse contato, eu tive a oportunidade de “visitar” seu lindo blog.
Chamado “Letrinhas Dispersas” o blog de Lívia se dedica a contos, estórias e poemas, mas essa aparente semelhança com o meu blog pode enganar.
Eu nunca poderia escrever com tanta beleza, delicadeza e ingenuidade que faz tão bem a nossa alma e coração.
Nesse sentido seu blog é o oposto do meu e sempre que estou cheio de preocupações e problemas permeando minha mente é para o “Letrinhas Dispersas” que eu vou, pois sempre tem um escrito novo e cativante.
Nossa querida Lívia é possuidora de uma habilidade ímpar com as palavras tornando a leitura gostosa e agradável.
Fica aqui então minha dica, em um 12 de outubro, para todos aqueles que querem ter a incrível sensação de voltar no tempo e ler algo de pureza límpida e suave para esses dias tão escuros que estamos vivendo agora.
Vocês encontrarão um dos melhores blogs que eu já tive a sensacional oportunidade de ver a acompanhar fielmente.
Parabéns Lívia!!!

Letrinhas Dispersas
http://letrinhasdispersas.blogspot.com/